CHRISTIAAN OYENS: SHODAN

Tuesday, October 18, 2005

SHODAN


Estou treinando firme e estou me preparando emocionalmente para no final do mês fazer meu exame de faixa preta de Aikido. 14 anos se passaram desde o primeiro treino que participei depois de tomar uma surra de 4 malfeitores na rua. Sinto-me completamente despreparado para este exame; ao mesmo tempo entendo que esta é a razão pela qual estou pronto para encará-lo.

É como a famosa historia do jovem aprendiz de lutas que após um tempo de treino vira para seu mestre e pergunta, “Mestre, quanto tempo levará para eu conseguir a minha faixa preta?” E o mestre responde, “Uns quinze anos.” O aprendiz insiste, “E se eu me esforçar muito?” Ao que o mestre calmamente responde, “Nesse caso levará 30 anos.”

O Aikido é um caminho para a vida toda. Para os entendidos interessa menos a minha habilidade em aplicar as técnicas e sim em como as estou recebendo. A minha flexibilidade, sensitividade, capacidade de adaptação, maleabilidade, destreza e harmonização convergem de maneira mais clara na hora de receber as técnicas. Ou seja, minha capacidade de apanhar é mais importante neste momento! Pode parecer absurdo para o leigo. Que arte marcial é esta que prega flexibilidade na hora de apanhar?? Mas não é muito diferente de grandes boxeadores ou até mesmo da filosofia dos Gracies. Quando o Rickson fica na guarda ele cansa o oponente afoito para acabar logo com a luta. Outro exemplo foi no primeiro Ultimate Fighting. A primeira luta do Royce, quando ele montou em cima do oponente, este em pânico bateu logo para acabar com aquilo.

Não gosto muito de citar o Ultimate Fighting porque afinal de contas o Aikido é uma arte marcial não competitiva. Acredito que o verdadeiro budo (caminho marcial) não pode ser competitivo porque ganhar e perder faz parte da vida e o único inimigo somos nós mesmos. O Judô hoje é dividido por sexo, idade, peso, etc... e não creio que este tenha sido o verdadeiro objetivo da espetacular arte suave de Jigoro Kano. Ao proibir a competição no Aikido, Morihei Ueshiba nos deixou um brilhante legado filosófico; nós só podemos competir contra nós mesmos. Só iremos aprender se formos humildes. Só iremos brigar se cairmos no vazio da desarmonia. Ninguém é mais forte, ninguém é melhor; somos uma grande família e só iremos conseguir evoluir como espécie quando aprendermos a nos harmonizar.

E os malfeitores que covardemente me espancaram? Como me harmonizar com eles? Você me pergunta se eu os perdoei? Bom, ainda tenho muito Aikido para treinar, né?

2 Comments:

Blogger loucuras filosóficas e afins said...

mas que dá vontade de bater nesses malfeitores dá não é mesmo?
fala verdade.

9:30 AM  
Blogger Christiaan said...

Sim, tem razão. Por outro lado, a gente aprende no tatame q o caminho da violência é algo sem volta, destrutivo e ineficaz. Portanto, o caminho do verdadeiro budo (vida marcial)tem q ser a via do equilibrio, da paz e do amor fraterno.

Ossu!!

10:33 PM  

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